Revolta! Indignação! Nojo!

O caso recente do assassinato do jovem Sergei Casper, 17 anos, estudante de uma escola politécnica de Moscou, pelos colegas de classe embrulhou meu (e imagino que muitos outros) estômago. Alguns podem pensar: “apenas mais uma tragédia, dentre as tantas que acontecem com gays por aí”. Para mim, alguns agravantes bem significativos se encontram neste caso.

O menino estava DENTRO DE SUA ESCOLA! Não lhe foi apontada uma arma na cabeça subitamente e com um disparo lhe foi tirada a vida. NÃO! Se assim houvesse sido, certamente seria uma tamanha tragédia a fugir do controle de qualquer pessoa que ali estivesse para possivelmente prestar apoio. Mas NÃO! O adolescente foi trazido à sala de aula pelos próprios “colegas” amarrado, após quase ter sido afogado no vaso sanitário, já em condições lamentáveis.

Me passou pela cabeça: mas que falta de sorte esse professor ou professora não estar na sala de aula bem nesse momento crucial! Mas, para minha surpresa e maior indignação, ao assistir ao vídeo gravado pelas câmeras da escola, pude ver uma senhora ocupando a mesa do professor agindo como se nada estivesse acontecendo: a “chamada” professora, uma mulher que certamente desconhece todo e qualquer significado de sua profissão.

Estou revoltadíssima como professora, como lésbica, como um ser humano que nunca irá se conformar com a crueldade e falta de caráter de algumas pessoas!

Será que nós, no Brasil, não estamos caminhando na mesma direção quando evitamos falar sobre gênero nas escolas brasileiras? A escola é um dos melhores locais para a identificação da homofobia, do sexismo, do racismo, entre outras opressões em geral. Quando deixamos de debater essas questões, colaboramos para que muitos alunos e alunas não se reconheçam naquele ambiente, o que, além de sofrimento, leva à repetência e à evasão escolar, um dos grandes problemas da educação de nosso país.

Quando se discute a diversidade, em geral se discute também a tolerância. Tolerância não é apenas suportar o outro, veja bem, mas participar de ações positivas, proativas e verdadeiramente construtoras da inclusão e de uma sociedade mais igualitária, justa e democrática. E é na escola que, muitas vezes, essa noção de “sociedade” começa a se desenvolver nas crianças.

Até o momento em que a criança é encaminhada a uma instituição educacional, ela compartilha da cultura e, portanto, dos valores que aqueles mais próximos lhe incutem. Portanto, a todas as mães e pais de bebês, crianças e jovens que estão lendo este artigo agora, fica aqui o meu apelo: eduquem seus filhos para a tolerância, merda! Digam a eles que os gays também são pessoas! Digam aos seus filhos que eles não são melhores que ninguém por serem brancos, ou pretos, por terem dinheiro ou não, por terem pais biológicos ou não, por serem deficientes ou não, por nada! Eles simplesmente não são melhores que ninguém!!!

Digam a eles que é seu dever olhar para o lado e enxergar um outro ser humano que também tem dores, e alegrias, e medos, e outros sentimentos que fazem dele também uma pessoa que merece ter sua vida preservada e respeitada. Eduquem seus filhos para que eles cresçam sem dúvidas de que a maneira como o outro vive não lhe diz respeito! Ensinem a eles o significado de empatia! E repreendam seus filhos quando parecer que eles não entenderam bem essa lição! Repreendam quantas vezes for necessário para que o mote de suas vidas seja o respeito ao próximo! Juntamente com os professores, assumam a sua responsabilidade na formação dessas pessoas que comporão a próxima geração de brasileiros, de chineses, de peruanos ou russos!

Façam tudo o que puderem e também o que não puderem para prevenir que seu filho, seu aluno seja motivo de um texto de revolta como o meu!