Uma das peças da campanha da AlmapBBDO para a Bayer. Imagem: AlmapBBDO

Prezadas AlmapBBDO e Bayer,

Nós sabemos que vocês se importam com a violência contra a mulher. A cada ano, mais de 500 mil estupros acontecem no Brasil, e essa questão tem comovido cada vez mais o brasileiro. Sabemos que vocês não têm intenção de reforçar a naturalização da violência contra a mulher, que não acreditam ser este problema uma dor de cabeça que se trata com Aspirina.

Há de ter sido infeliz coincidência que a campanha da Aspirina que brinca com vazamentos de áudios e vídeos gravados sem autorização tenha levado um Leão de bronze em Cannes, o maior festival de publicidade do mundo, justamente quando o Brasil tenta se recuperar do choque de um estupro filmado, performado por nada menos do que 33 homens. O machismo é um elemento cultural tão enraizado que às vezes nós mesmas temos dificuldade em detectar seus braços ocultos. 

Bacana vocês terem pedido a retirada das peças à direção do Festival, abrindo mão do prêmio. Mas as mulheres se sentiram lesadas e continuam sendo estupradas. É preciso responder a isso com firmeza, porque notas de desculpas já não dão mais conta de uma questão que vem deixando tantas vítimas pelo caminho.

Para remediar a situação e explicitar a preocupação da AlmapBBDO (agência responsável pela campanha) e da Bayer para com a situação epidêmica do estupro no Brasil – estimativas apontam que, anualmente, há mais casos de estupro do que de zika no país – a Revista AzMina disponibiliza sua equipe para organizar um debate sobre a cultura do estupro na propaganda. O evento será um passo fundamental na recuperação das marcas afetadas, que assim se posicionarão em favor do amplo debate sobre o tema e com o público que se sentiu ferido pelas peças.

A Revista AzMina oferece-se para reunir um time de especialistas aptas a trazer ao público informação atualizada sobre a cultura do estupro e seus efeitos práticos no Brasil.

À AlmapBBDO e à Bayer caberiam duas tarefas. A primeira seria convocar os pesos pesados das maiores agências brasileiras para aprender sobre essa questão que, como é natural em um universo tão marcadamente masculino, passa longe do dia a dia dos profissionais. A segunda – que não deverá ser problema para duas marcas tão bem sucedidas – seria arcar com os custos do evento, tais como aluguel do espaço, assessoria de imprensa, coffee break, material de divulgação e outros.

Aguardamos vosso retorno, ansiosas para dar início à construção desse evento que, sem dúvida, será um marco positivo na propaganda brasileira e na trajetória da AlmapBBDO e da Bayer.