Temos um ministério compostos por homens brancos de elite. Há requintes de crueldade nas escolhas do Presidente Interino. Há o grande defensor do proibicionismo e da guerras às drogas, há o homem que liderou a PM paulistana durante chacinas nas periferias e respostas violentas ao movimento secundarista. Mas todos têm isso em comum: homens brancos.

Tenho visto as reações ao clube do bolinha branco de Temer e vejo que, embora exista consenso sobre o absurdo que é a ausência de mulheres neste grupo, temos encarado esse dado como algo que ele não é.

Nas redes sociais, por exemplo, as estatísticas são debatidas. O primeiro governo só com homens ministro desde Geisel. Não, dizem alguns. Sarney e Itamar também não tinham mulheres no momento da posse. Detalhes relevantes para que entendamos o contexto e encaremos de frente nossa o machismo endêmico da nossa sociedade. Este dado não é mera estatística.

A Globonews disse que o grupo convocado por Temer é ótimo, competente, apesar da “mancada” de não chamar nenhuma mulher. Mancada. O Senador Cristovan Buarque, que votou pelo impedimento da Presidenta, postou que achou “estranho” a falta de diversidade dos convocados. Estranho.

A ausência de mulheres dentre os ministros de Temer não é estranho. Nem é uma mancada. Este dado não é nem surpreendente, nem um pequeno equívoco.

Este dado é a ponta do iceberg do conservadorismo. Este dado é o retrocesso que nem os que estavam convencidos de queste proceso de impedimento era legítimo e positivo conseguem negar. Este governo trata a desigualdade de gênero com naturalidade e a perpetua agindo na contra-mão da história ao dizer às mulheres: a vida pública não é o seu lugar.

Faixa de miss pode. De presidenta não.

Este dado deve nos fazer enfrentar a verdadeira questão que deve afligir os que assistiram a posse daqueles quase 30 homens brancos no dia de ontem: que tipo de políticas de enfrentamento das desigualdades pode se esperar de um governo que acha desigualdade de gênero e raça natural? Nenhuma.

A falta de mulheres neste grupo não é algo a ser resolvido convocando uma mulher hoje. Até porque, há razões para duvidar de que o faria. Tem meses que feministas estão denunciado o machismo do então Vice-Presidente, que praticamente só recebeu homens para conversas e conspirações no Palácio do Jaburú. Uma infinidade de cafés tomados com lideranças cobertos pela imprensa nacional por dias e noites. No final, só homens no ministério. Só brancos. Os jornais noticiaram as reemprendas feministas. E nem assim, nem para evitar a fadiga, Temer achou que valia a pena selecionar uma mulher bela, recatada e da posse para estar ao seu lado ontem.

A ausência de diversidade deste governo é um dado que deve ser denunciado para que entendamos que o poço em que eles estão nos jogando é fundo. Outros dados trágicos como esse virão. Ainda não terminamos de cair.