“Dia difícil para as inimigas”. “Tudo falsiane”. “Beijo para as recalcadas”. Está na moda colocar as mulheres umas contra as outras – e muitas de nós embarcamos nessa, como se fosse apenas um meme engraçadinho. Mas você já parou para pensar que não existem equivalentes masculinos para essas expressões?

Na cultura de massa, enquanto as mulheres disputam quem é a mais bonita, quem brilha mais, quem dança melhor e quem conquista o coração do boy magia, os homens são grandes amigos. Brothers. Parceiraços. Xingam uns aos outros de tudo quanto é nome, mas com carinho. Já as mulheres juram ser melhores amigas para sempre, quando na verdade querem ver a outra pelas costas.

Tamanha insistência nesse estereótipo não é por acaso. Mulheres desunidas não mudam o mundo. Que tal acabarmos já com isso e sermos mais gentis umas com as outras? Pode ter certeza que você tem muito mais em comum do que imagina com aquela colega de trabalho, sua sogra ou até mesmo a ex do seu namorado. E, mesmo que você não tenha muito em comum com essas ou outras mulheres, nada impede de estender uma mão amiga. Neste dia internacional da mulher, a revista AzMina convida tod@s @s noss@s leitor@s a exercer mais a sororidade no seu dia a dia. Bem pertinho de você existem mulheres precisando de ajuda. E você, com certeza, tem algo bom para oferecer. Veja alguns exemplos inspiradores logo abaixo:

Somos todas mães do seu bebê

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A psicóloga Laura Helena Lopes viralizou na Internet graças a uma atitude muito simples: entrou em um grupo de mães solteiras no Facebook e se ofereceu para cozinhar papinhas para elas. A ideia surgiu quando ela estava em um hospital e entreouviu uma conversa na qual uma mulher dizia que só estava conseguindo acompanhar a filha na quimioterapia porque uma vizinha tinha se oferecido para cozinhar para ela, tornando possível conciliar casa, trabalho e os cuidados com a pequena. “Na hora, pensei: ‘nossa, eu também posso fazer isso pelas mulheres que são sozinhas com suas crias!’”, conta.

Hoje, Laura dedica todos os seus domingos a isso. “Tenho prazer em cozinhar — então, mesmo que demore um dia todo, ao final, estou satisfeita e feliz”, diz ela. Mas a ajuda não se restringe à cozinha. “Para algumas mulheres, fiz papinhas e comidas, mas outras eu ajudei dando carona para levar seus filhos doentes ou deficientes até o hospital”.

Desde que saíram as primeiras matérias em portais sobre sua iniciativa, a demanda aumentou, mas o número de pessoas inspiradas por Laura também. “Mulheres de todos os Estados se mobilizaram em prol das mães sozinhas.

Muitas se dispuseram a ficar com as crianças nos fins de semana, para que a mãe pudesse ter um tempo para ela mesma, sair, se divertir. Isso foi maravilhoso! De vez em quando também faço isso e garanto: além de gratificante, é muito divertido”.

Agora, Laura quer fazer tudo isso avançar ainda mais. Ela tem um projeto para ajudar mulheres desempregadas da periferia (de preferência, negras) a montar seus currículos e assim se destacar ainda mais em processos seletivos.

Pedalando juntas

Loucura

A jornalista Verônica Mambrini é outro exemplo de mulher que fez do seu hobby uma maneira de ajudar outras mulheres. Ela ama pedalar e usa a bike como meio de transporte há 7 anos. “Durante a apuração de uma matéria sobre a Bicicletada, uma ciclista foi atropelada na Avenida Paulista: Márcia Prado. Eu a havia entrevistado na véspera. Isso me marcou muito e, desde então, a bicicleta só ganhou espaço na minha vida. Além dos deslocamentos diários, comecei a praticar cicloturismo e ciclismo de longa distância”, conta ela. Ao mesmo tempo, Verônica também descobria o feminismo. Não deu outra: juntou um com o outro, ajudando a fundar o coletivo Pedalinas, que visava ser um espaço seguro para mulheres ciclistas.

O Pedalinas organizou passeios para dar segurança a mulheres ciclistas iniciantes, deu algumas oficinas mecânicas e promoveu rodas de conversa. Porém, com o tempo, suas integrantes foram perdendo o pique de manter uma agenda constante. Mas a demanda para aprender a andar de bicicleta continuava. “Recebemos muitos e-mails de mulheres adultas querendo pedalar, mas não tinham quem as ensinasse e sentiam vergonha por não saber”, diz. Verônica e outras integrantes do Pedalinas passaram, então, a atender essas mulheres individualmente.

Segundo Verônica, um dos desafios de ensinar uma mulher adulta a andar de bicicleta é combater uma série de sentimentos negativos, como o medo de cair e se machucar, reforçado pelo tratamento que subentende a mulher como um ser frágil.

Há também o medo de sofrer assédio e a agressividade no trânsito. “Muitas não aprenderam porque não tiveram acesso a bicicletas na infância, mas também vi casos em que meninas foram direcionadas a espaços considerados mais apropriados, como a domesticidade”, relata a jornalista.

Assim como Laura, Verônica não se restringe a apenas ensinar as mulheres a se equilibrarem na bike. Ela também faz o papel de “bike anjo”, andando ao lado da mulher em seus primeiros trajetos urbanos, e dá uma força na compra da primeira bike.  Mas o que mais faz seus olhos brilharem é quando ela vê uma mulher se superar. “Levei algumas para passeios em que pudessem testar seus limites, fazendo uma quilometragem maior ou trajetos difíceis. É muito legal ver uma mulher se sentindo capaz de subir uma montanha mais rápido que os tios pançudinhos donos-do-pedaço, dá muito orgulho!”

Vestir de amor

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A professora de português para estrangeiros Fernanda La Ruina ama costurar, desde que se entende por gente. Aprendeu ajudando a mãe, antes e depois da escola. Depois, passou a costurar roupinhas de boneca para vender às coleguinhas e, assim, passou a ter o próprio dinheiro. “Sempre detestei pedir”, diz ela. Adulta, se tornou feminista e teve uma excelente ideia: costurar lindos vestidos para meninas órfãs do Rio de Janeiro. “Muitas são retiradas de suas famílias por algum tipo de abuso, muitas vezes bastante grave, então dou um pedaço do meu amor a elas em forma de tecido”. E o amor da Fernanda é dos mais formosos, veja só:

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“Quem menos tem e mais sofre precisa receber o melhor e o mais bem feito, nunca o resto”, defende ela. Os vestidos são feitos com tecidos novos e usados doados por outras mulheres.

Tudo começou de forma bem informal: Fernanda fez um post no Facebook pedindo tecidos para a sua empreitada. A postagem foi compartilhada por várias pessoas até se tornar uma corrente. Para organizar tudo, Fernanda criou o grupo Costura e Boa Vontade, que já conta com mais de 100 membros. Você pode participar apenas doando tecidos ou trocando figurinhas sobre a arte da costura, já que a ideia é estender a iniciativa para mais orfanatos. E o projeto só tende a crescer: Fernanda acaba de receber uma proposta para ampliar o projeto, junto a uma ONG.

“De início, fiquei na dúvida se as meninas iam gostar ou não do que eu havia feito. Como não sou costureira profissional, estava muito ansiosa pelo resultado e sabe como são as crianças: se não gostam, arrancam pela cabeça e não poupam críticas! Mas, depois de entregar a primeira leva, que foi de uns vinte vestidos, ela foram correndo brincar com eles, se mostrando para as câmeras muito felizes e seguras. Foi algo maravilhoso de ver”, conta Fernanda, feliz da vida.

E você? O que pode fazer para ajudar uma mulher que está bem aí do seu lado? Neste Dia da Mulher, somos por menos beijinhos no ombro e mais beijinhos de amizade.