Dizem que o ano só começa depois do Carnaval. Mas muita coisa importante já rolou! AzMina peneira as notícias mais marcantes para as mulheres e o feminismo neste ano que mal começou, mas já consideramos pacas.

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Nova Playboy não pagará mais cachê às mulheres que posarem em suas páginas

Fechada pela editora Abril no fim do ano passado, a revista Playboy será relançada em abril sob comando de uma nova editora, a PBB Enterntainment. A primeira edição terá a atriz Luana Piovani na capa. Em carta à imprensa, a PBB informou que as “coelhinhas” (como são conhecidas as mulheres que posam nuas para a publicação) não receberão mais cachê “porque o corpo da mulher não tem preço. Não haverá leilão sobre qual estrela foi mais bem paga, porque nenhuma mulher vale mais do que a outra”. A publicação oferecerá apenas uma participação em “eventuais” acordos publicitários feitos pelo departamento de marketing, vendas e publicidade. Também não haverá a obrigação de nu frontal.

Veja só: no momento em que viu suas vendas diminuírem drasticamente e precisa reduzir custos, a revista sequestrou o discurso feminista para justificar o corte de gastos. Mas nós não somos bobas e não caímos nesse papo!

Na hora de pagar pelo ensaio, o corpo da mulher não tem preço, mas na hora de vender as fotos, aí não tem problema nenhum cobrar dinheiro?

As mulheres só estão sendo consideradas “parceiras” quando isso se tornou conveniente – e, ainda assim, os termos da “parceria” continuam definidos pelos homens. Muito provavelmente, a PBB ficará com a maior parte dos lucros, deixando as coelhinhas apenas com uma pequena porcentagem.

Certamente celebridades como Luana Piovani ganharão bons contratos de participação em publicidade, mas e as demais mulheres, menos conhecidas, que aparecem na revista? Provavelmente aceitarão parcerias módicas ou posarão de graça “apenas pela visibilidade” (esquema que jornalistas, fotógrafos e designers infelizmente já conhecem bem, nesses tempos de crise da imprensa tradicional). Vale lembrar que os mercados do sexo e da beleza (modelos, prostitutas, atrizes pornô, strippers, mulheres que posam nuas em revistas etc) são as únicas áreas em que as mulheres tendem a ganhar mais do que os homens. Pois a Playboy trouxe precarização para elas e chamou isso de “valorização”. Foi a conversa para boi dormir do mês.

Nos Estados Unidos, a publicação fundada por Hugh Hefner parou de publicar fotos de mulheres nuas, por julgar já ter perdido a concorrência para o pornô na Internet.

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Zika reacende debate sobre o aborto no país

O debate sobre a legalização do aborto no Brasil bombou neste início de ano, devido ao número crescente de casos de microcefalia, condição associada ao vírus Zika. O jornal Folha de S. Paulo reportou que fetos com microcefalia estão sendo abortados por obstetras de forma isolada e clandestina. Suspeita-se que o número de abortos clandestinos aumente no país devido ao surto de Zika, o que pode elevar o número de mortes de mulheres, principalmente pobres. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada dois dias uma mulher morre no Brasil em decorrência de um aborto ilegal. A OMS estima que 800 mil abortos sejam realizados no Brasil a cada ano.

A antropóloga e ativista Debora Diniz está preparando uma ação para pedir ao Supremo Tribunal Federal que autorize o aborto de fetos microcefálicos. Ela foi uma das mais importantes vozes na luta pelo aborto em caso de anencefalia, permitido desde 2012 graças a um precedente aberto pelo STF. Em artigo no New York Times, Debora defendeu que as mulheres não podem ser punidas pela falha do governo brasileiro em combater o mosquito Aedes Aegypti e que é uma irresponsabilidade o Ministério da Saúde apenas recomendar às mulheres que não engravidem, sem dar a todas as brasileiras a informação, educação e os contraceptivos necessários, além de vedar o acesso legal ao aborto. Leia aqui.

Já a organização internacional Women on Web (releia nossa entrevista com elas) anunciou que prestará toda a assistência às brasileiras grávidas de fetos com microcefalia, inclusive enviando a elas comprimidos de Mifepristona e Misoprostol, e urgiu à alfândega do Brasil para que pare de confiscar os pacotes enviados pela ONG. Caso precise de informação e assistência, você também pode recorrer à organização safe2choose, que presta um serviço similar.

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49% dos homens acha que carnaval de rua não é lugar de mulher “direita”, mas nós vamos fazer barulho!

O Instituto Data Popular fez uma pesquisa que apontou que nada menos que 61% dos homens pensa que mulher solteira que vai pular Carnaval não pode reclamar de ser cantada e 49% acham que Carnaval de rua não é lugar de mulher “direita”. É de chorar, mas felizmente tem muita gente interessada em mudar essa cultura. Nossa campanha #CarnavalSemAssédio bombou nas redes sociais! Foram milhares de compartilhamentos, inclusive pela página de direitos humanos do governo federal. Várias celebridades, como Cauã Reymond, Chico Buarque, Sidney Magal e Juliana Paes também compartilharam nossa campanha.

Nossa equipe também apareceu em vários meios de comunicação para falar o que, infelizmente, deveria ser óbvio: beijo à força, gravata, puxão de cabelo ou apertão no braço não são uma forma de paquera, mas sim de desrespeito! A diretora executiva Nana Queiroz deu entrevista à Folha de S. Paulo, a repórter Carol Vicentin conversou com o SBT, a editora Marjorie Rodrigues falou no canal paulista TVT e nossa subeditora executiva, Helena Bertho, deu entrevista à TV Brasil.

Obrigada, gente! Vamos fazer um escândalo!

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Foto: divulgação

Mattel reinventa Barbie e lança linha com diferentes tipos de corpo

A Mattel finalmente atendeu aos pedidos e lançou uma linha mais realista das bonecas Barbie, com três novos tipos de corpo (alta, baixa e curvilínea), além de sete tons de pele e 24 estilos de cabelo, incluindo afro. A boneca sempre foi duramente criticada por ter medidas desproporcionais, impossíveis para uma mulher de carne e osso. Segundo Evelyn Mazzoco, gerente global da marca, “as novas bonecas visam refletir uma visão mais ampla da beleza”.

A novidade dividiu as redes sociais. A maior representatividade das minorias é, sem dúvida, um avanço. Mas a motivação da empresa é, na verdade, muito mais comercial do que feminista: as vendas de Barbie têm decaído continuamente nos últimos anos e, em 2015, ela perdeu seu posto de boneca mais vendida do mundo para Elsa, do filme Frozen – uma aventura congelante.

O avanço da nova linha também tem seus limites: ainda não existe Barbie gorda. No máximo, curvilínea como Marilyn Monroe e Kim Kardashian, tipos de beleza fora do padrão das passarelas, mas não necessariamente “não-aceitos”.

Vale lembrar que as primeiras Barbies de cabelos escuros e pele negra foram lançadas apenas no final dos anos 1960 – a boneca existe desde 1959.