Nada de tédio em setembro! Recomendamos cultura e entretenimento que faz bem para as mulheres!

ESPETÁCULOS E EXPOSIÇÕES PARA MULHERES PODEROSAS

Luz na passarela que lá vem ela…

…e, sim, é muito melhor que a loira do Tchan, é a Frida Kahlo! A diva da arte e do feminismo latinoamericanos desembarca em 20 obras no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, no final deste mês. Fiquem tranquil@s, ela também viaja para Rio de Janeiro e Brasília – e aguenta a curiosidade pois as datas ainda não foram definidas. @s paulistas podem conferir a mostra por módicos R$ 10 (vai, você gasta mais com bobagens) até o dia 10 de janeiro do ano que vem. É Frida pra overdose!

Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México
De 27/09 a 10/01. De terça a domingo, das 11:00 às 20:00.
No Instituto Tomie Otake, em São Paulo. Entrada: R$ 10 (Às terças a entrada é franca).

Peça sobre Cora Coralina em turnê

A peça “Cora dentro de mim – Plantando Roseiras e Fazendo Doces” é uma homenagem à vida da ousada poetisa-doceira-feminista-maravilhosa. Sim, Cora foi muitas coisas! Ela encarou de frente as opressões que a sociedade impunha às mulheres em seu tempo. Escrever e estudar já eram atitudes transgressoras à época (acredite se quiser), e Cora foi além, engajando-se no feminismo. Sabe essas ideias de um governo feminista, que o povo ainda acha revolucionárias demais? Ela já defendia isso lá na década de 20! E mesmo assim, Cora só conseguiu publicar seu primeiro livro aos 76 anos! Se você ficou curios@ pra saber mais dela, está convidad@ para entrar em sua cozinha, comer uns doces, ouvir poesia e conhecer suas histórias. O espetáculo circula pelo Brasil desde 2013 e, em setembro, passa por Planaltina (DF), Goiânica (GO) e Brasilia (DF).

Cora dentro de mim – Plantando roseiras e fazendo doces
04 e 05/09 – Museu Histórico de Planaltina (DF) – R$ 10
17 a 19/09 – Espaço Gepeto, Goiânia (GO) – R$ 20
25 a 27/09 – Funarte, Brasília (DF) – R$ 20

A recuperação de um estupro retratada no palco

Após ser estuprada, uma mulher tenta se restabelecer, encontrar um jeito de se sentir bem no mundo, um espaço seu. Ela vive a dor do trauma, colocando pra fora a violência que viveu, e nessa experiência, acaba rompendo com a velha lógica patriarcal na qual vivia. Um assunto pesado, mas essencial. Afinal, num país que tem 50 mil casos de estupro por ano, muitas mulheres passam por esse processo. A peça “Alteridade” tem texto de Maria Giulia Pinheiro e direção de Luana Gabanini e é a primeira obra da Companhia e Fúria, que foca em uma estética feminina e na cultura do estupro. O espetáculo estreia em São Paulo e vai buscar meios para circular pelo Brasil.

Alteridade
05 a 27/09 – Sábados, às 21h e domingos, às 20h
Teatro Célia Helena, São Paulo (SP). Entrada: Pague quanto puder

FILMES E SÉRIES PARA SENTIR E REFLETIR

Sambando fora do circuito

Em uma periferia imaginária, novas formas são testadas: novas formas de amor, de afeto e de família. O filme “Quase Samba” acompanha a cantora Teresa, que está no último mês de gravidez e se vê no meio da disputa entre dois homens que podem ser o pai de seu filho: o amável Charles e o violento Fernando. Ela até busca o amor, mas não tem necessidade de homem, não! Como diz no filme: “Esse filho é meu!”. Até porque ela já tem ajuda de Shirlei, uma trans com quem ela vive e divide uma amizade gostosa, pra criar seu filho mais velho e o que está a caminho.

É um filme bem delicado sobre relações humanas, dirigido por Ricardo Targino, que ousa em outra praia: a distribuição. Num país onde entrar no circuito comercial é quase impossível para os pequenos produtores, o longa chega de uma nova forma.

Quase Samba
Em parcerias com indivíduos, escolas e organizações, o filme é exibido em praças, cineclubes e sessões alternativas. Vale ficar de olho na agenda, para ver quando chega à sua cidade, ou até, quem sabe, organizar uma exibição.

Uma esposa exemplar

Uma série com o nome “The Good Wife” (A Boa Esposa, em tradução livre) parece não prometer muito, mas é uma bela surpresa. A história acompanha a advogada Alicia Florrick, que era uma esposa e mãe dedicada até seu marido se envolver em um esquema de corrupção e prostituição. Ele vai preso e, para ela, além da exposição indesejada, fica a necessidade de sustentar os filhos. O jeito é voltar a trabalhar, depois de quase 20 anos parada.

A série elabora a trajetória de uma mulher que passou a maior parte da vida presa em um papel e que começa a se libertar e descobrir quem realmente é. Além dos casos de direito (alguns bem exóticos) que surgem a cada episódio, a produção tem uma construção de personagens incrível e diálogos muito bem trabalhados. Sem contar todas as personagens femininas fortíssimas que circulam pela história. O drama da TV aberta americana já tem seis temporadas, com a sétima prestes a estrear, no início de outubro. Dá tempo de fazer maratona de tudo que já rolou, para ficar em dia até lá!

The Good Wife
O Netflix disponibiliza até a quinta temporada, e no canal Universal, a sexta está no ar.

Que horas ela volta?

Uma história típica: mulher nordestina deixa a família na terrinha para tentar a vida em São Paulo. E quem dá voz a essa história tão brasileira é a diretora Anna Muyalert, com humor e delicadeza. Mais um motivo pra ver: as protagonistas Regina Cazé e Camila Márdila dividiram o prêmio do júri de melhor atriz estrangeira no festival de cinema de Sundance.

Que horas ela volta?
Já em cartaz nos cinemas
Trailer

A Festa de Despedida

O que fazer quando seus amigos estão em condições críticas de saúde? Um grupo de idosos de um asilo resolve criar uma máquina de eutanásia para ajudar os colegas desenganados. E é claro que a invenção vira um verdadeiro sucesso! A produção tem roteiro e direção da dupla israelense Sharon Maymon e Tal Granit.

A Festa de Despedida
Estreia:03/09
Trailer

Pequeno dicionário amoroso 2

A diretora Sandra Werneck retoma a história do casal do filme “Pequeno Dicionário Amoroso”, de 1997, mostrando seu reencontro 16 anos depois dos eventos da primeira produção.

Pequeno Dicionário Amoroso 2
Estreia:10/09
Trailer

Ricki and the Flash – De Volta para Casa

Meryl Streep sozinha costuma ser um bom argumento para qualquer filme. Em “Rick and the Flesh”, ela vive uma roqueira na terceira idade que, depois de dedicar sua vida à carreira, volta para casa para tentar se reaproximar dos filhos. Filme escrito pela roteirista Diablo Cody, autora também de “Juno”.

Ricki and the Flesh – De Volta para Casa
Estreia:10/09
Trailer

Parceiras Eternas

Uma garota lésbica e uma hétero são grandes amigas e parceiras até que uma delas se envolve com um rapaz e a outra se sente deixada de lado. Quem nunca passou por isso, né? Uma comédia que promete muita sensibilidade, escrita e dirigida por Susanna Fogel.

Parceiras Eternas
Estreia: 17/09
Trailer (em inglês)

De Cabeça Erguida

Com direção de Emanuelle Bercot e roteiro de Emanuelle com Marcia Romano, um belo drama francês. Ele acompanha a história de uma juíza, vivida por Catherine Deneuve, que faz de tudo para ajudar um jovem rebelde, que acha que não precisa de ajuda.

De Cabeça Erguida
Estreia: 17/09
Trailer (em francês)

Um Senhor Estagiário

A diretora e autora deste filme é Nancy Meyers, que escreveu outras comédias como “Operação Cupido” e “O Pai da Noiva”. Então já dá para imaginar o estilo da comédia que conta a história de uma jornalista de moda que agora tem um estagiário de 70 anos.

Um Senhor Estagiário
Estreia: 17/09
Trailer

MÚSICA PARA OS OUVIDOS, O INTELECTO E A ALMA

Já conhece a Karol Conka?

Então bota o fone de ouvido (ou liga o som no máximo) e pode ouvir o antigo hit Marias  ou o mais recente Tombei. Porque a rapper é puro empoderamento. Ela tem força, ela é dona do seu corpo e, em suas letras, fala sobre autoestima, sobre valorização da mulher negra, sobre o poder feminino e, principalmente, se diverte muito. Seu primeiro álbum, Batuk Freak, teve 22 mil downloads só na primeira semana e a curitibana promete um segundo disco para 2015 ainda. Aguardando ansiosamente as novidades da diva.

Karol Conka
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Pop político

Poderia ser apenas mais uma diva pop, se não fosse sua coragem. A jovem curda Helly Luv usa seu som para mostrar ao mundo a realidade da guerra em seu país, o Curdistão, que há décadas luta pelo reconhecimento como Estado e sofre com ataques terroristas. Para isso, ela não mede esforços. Seu último clipe Revolution foi filmado a apenas alguns quilômetros de uma zona de guerra! Considerando o conflito que dominda a região, é claro que isso rendeu muitas ameaças à cantora. De família curda, Helly foi refugiada sua vida toda e, assim que conseguiu espaço para mostrar sua voz, resolveu usar isso para falar da questão política de sua terra de origem e de seu sonho de independência.

Helly Luv
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PARA LER, RELER E DISCUTIR

Outra revista feminista online

Na verdade, não outra qualquer, mas sim a Spare Rib, uma das maiores revistas feministas que já existiram. Entre 1973 e 1992, ela desafiou os estereótipos e denunciou a exploração de mulheres. Foi icônica para sua época e, até hoje, é um material incrível para entender o feminismo que nos trouxe onde estamos.

Todo o conteúdo da Spare Rib foi digitalizado e pode ser acessado aqui, ou em uma versão com curadoria, no site da Biblioteca Britânica.

Momento Literário

Setembro é um grande mês para a literatura: o Rio de Janeiro recebe a 17ª Bienal do Livro e Recife sediou a primeira edição da Feira Nordestina do Livro. São ótimos para conhecer um montão de nov@s e antig@s autor@s e mergulhar num mundo de livros e ainda dá tempo de pegar a Bienal! Sem falar que rolam debates e painéis imperdíveis, com grandes presenças femininas. Selecionamos alguns em que vale a pena ficar de olho:
– Novas Escritas do Corpo Feminino, com Joana Ribeiro, Jeosanny Kim e Ana Paula Lisboa, 09/09 às 17h, na Bienal do Livro.
– Ser Mulher Agora, com Karina Buhr, 10/09 às 17h, na Bienal do Livro.

XVII Bienal do Livro
03 a 13/09 – Riocentro, Rio de Janeiro (RJ). Entrada: R$ 16.

As Lendas de Dandara

Se você acha que o quilombo Palmares só teve um grande herói, saiba que de lá também saiu uma das maiores heroínas do Brasil: Dandara dos Palmares! Quem é ela? No livro “As Lendas de Dandara”, escrito por Jarrid Arraes e ilustrado por Aline Valek, dá pra descobrir. Com aventura, suspense e até acontecimentos sobrenaturais, ele conta a história da guerreira quilombola, que foi também companheira de Zumbi dos Palmares. Uma boa leitura que, de quebra, valoriza a cultura afro-brasileira!

As Lendas de Dandara
De Jarrid Arraes. R$ 35, impresso e R$ 12, e-book, no site.

Moçambique, o Brasil é aqui

Sete meses de andanças por terras moçambicanas, muita conversa com a população local e uma profunda investigação – com acesso a telegramas secretos do Itamarty, é… Não foi pouco ou fácil o trabalho da jornalista Amanda Rossi para conseguir material para este instigante livro. E pode se preparar que é material bombástico. Ela explora a fundo as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Moçambique, mostrando e explicando esquemas do governo para entrada de empresas brasileiras na África e os motivos por trás deles. Tem até entrevista com Lula! O livro acaba de ser lançado pela Editora Record.

Moçambique, o Brasil é aqui
De Amanda Rossi, Editora Record. R$ 35 – impresso e e-book, nas livrarias.

Clube do Livro

Tá sem ideia do que ler esse mês? Então vem ler com AzMina! Como funciona: todo mês, a gente conta qual livro vamos ler. Na edição seguinte, nós contamos o que achamos da leitura e abrimos um espaço pra vocês falarem o que acharam. Tem coisa melhor que um bom livro e um debate amigável sobre ele depois? Só vai faltar o cara a cara!

Para outubro: “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, Ed. Record.
Sinopse: História de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. O livro está inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, sem chatice.